Lojas online investem na superespecialização e conseguem cavar espaço no concorrido mercado do varejo eletrônico
Wednesday, December 16, 2009 9:27
O engenheiro Jean Rodrigo Vicente adora vinhos. Mas as duas únicas lojas que vendem o produto em sua cidade, Jundiaí, a 60 quilômetros da capital paulista, não costumam ter os vinhos que ele procura. A solução estava na internet. Vicente pesquisava sobre um Maillén Cabernet Sauvignon 2007 quando descobriu a Wine, uma loja virtual especializada em vinhos. “Não parei de visitar as lojas físicas, mas incluí a internet no meu roteiro de compras”, diz Vicente.
Criada há um ano para atender um tipo de consumidor exigente e bastante informado, a Wine tem mostrado resultados surpreendentes. Só no mês de novembro vendeu 34 000 garrafas. As entregas para quase 500 cidades são feitas em até 48 horas graças a uma parceria com a TAM Cargas. A seleção do site é grande. São cerca de 1 800 rótulos, pelo menos três vezes o que se encontra numa boa loja brasileira. Tudo fica estocado em Palmas, a capital de Tocantins. Com um ano de vida, a empresa prevê faturamento de 10 milhões de reais em 2009.
“Nosso plano é ter receita de 55 milhões de reais em cinco anos”, diz Rogério Salume, criador da Wine.
No Brasil e no mundo, o comércio eletrônico costuma ser o domínio de grandes grupos. Por aqui, o maior deles é o B2W, com suas marcas Americanas e Submarino, empresa que certamente será desafiada pela união de Pão de Açúcar com Casas Bahia. Os dez maiores varejistas da web detêm três quartos do faturamento do e-commerce brasileiro, segundo levantamento do instituto e-bit. Mas, enquanto essas gigantes se preocupam com grandes volumes e com o gosto médio dos consumidores, companhias especializadas começam a se acomodar nos espaços vazios - e eles não são poucos. Até o fim deste ano, 17 milhões de brasileiros terão feito compras online e terão movimentado 10 bilhões de reais. Numa conta de guardanapo, há pelos menos 2,5 bilhões de reais longe do alcance dos gigantes do varejo online.
A versão virtual da loja Procorrer, lançada em 1997, nos primórdios da internet comercial no país, vem crescendo com a rede e com o interesse pelas corridas. No início, a página era meramente um catálogo eletrônico. As vendas eram finalizadas por telefone, e os tênis e artigos para corredores eram despachados da loja, em Curitiba. Hoje, a Procorrer atende atletas que estão muito longe da capital paranaense: o site já vendeu para brasileiros que moram nos Estados Unidos, na Argentina e no Uruguai. Os clientes ativos cadastrados são quase 28 000, e as vendas devem chegar a 4 milhões de reais neste ano, segundo Roberto Grupenmacher, diretor comercial da Procorrer. Outra empresa que atendeu clientes fora do país foi a FestaExpress, especializada em itens de decoração de festas infantis. O que os expatriados não conseguem encontrar? Temas ligados aos clubes de futebol brasileiros.
Além de oferecer produtos difíceis de achar, os sites superespecializados fazem sucesso porque atendem a um tipo de desejo do consumidor que muitos dos grandes varejistas ignoram: informação. Quem vende tênis para corridas, ou vinhos, ou instrumentos musicais é capaz de entender as perguntas dos clientes e oferecer produtos muito mais adequados a cada necessidade. Além disso, com as ferramentas de comunicação e a amplificação de vozes da internet social - Twitter, Orkut, Facebook e assim por diante -, o caminho para encontrar o consumidor ficou mais curto.
“As conversas espontâneas que surgem das interações online são muito enriquecedoras para o negócio”, diz o coordenador de comércio eletrônico da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, Alberto Luiz Alertini.
As redes sociais ajudam, mas existe outro desafio. Em meio a tantas ofertas, criar uma marca na internet e estar entre os primeiros resultados da lista dos sites de buscas é vital. As ferramentas de pesquisa e os sites de comparadores de preços dão origem a 30% das vendas. Num universo de 1 trilhão de páginas indexadas no Google, aparecer com destaque não é nada fácil. Mas a recompensa para quem consegue é grande.
A americana Zappos nasceu em 1990 como mais uma loja de sapatos online. Graças a uma reputação de ótimos serviços ao cliente e uma tradição de oferecer sapatos de tamanhos e formatos difíceis de encontrar, a empresa cresceu de forma vertiginosa. Neste ano, já oferecendo roupas e acessórios, a Zappos foi comprada pela Amazon por 928 milhões de dólares. O segmento de vestuário é o líder de vendas online nos Estados Unidos, mas por aqui não está nem na lista dos cinco tipos de produto mais adquiridos via web. É por isso que os especialistas dizem que ainda existe muita oportunidade - basta escolher a praia certa.
Fonte: Revista Exame
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