Crescimento do e-commerce no Brasil alavanca e antecipa venda em datas comemorativas, entre elas, o Dia das Crianças
Monday, November 30, 2009 11:27
A navegação em sites de compras no Brasil excluindo-se portais de viagens e de automóveis tem hoje uma audiência mensal de 25 milhões a 35 milhões de internautas. “Isso equivale a quase 70% das pessoas que navegaram na internet em casa ou no trabalho e representou um crescimento, de maio a agosto deste ano, de 8,7% a mais de internautas em sites de e-commerce. A web em geral, no mesmo período, cresceu 8%”, afirma o analista de mídia do Ibope/NetRatings, José Calazans. Essa adesão cada vez maior dos internautas brasileiros ao e-commerce também tem refletido no início de um novo cenário em datas comemorativas: as compras antecipadas de presentes via web, e isso se refletiu para esse Dia das Crianças. Exemplo disso é o Superexclusivo, o primeiro outlet virtual do país. O site, que trabalha como um outlet físico vendendo produtos de marcas consagradas a preços mais acessíveis, apresentou um aumento de 200% nas vendas de brinquedos para o Dia das Crianças (as vendas para datas comemorativas são fechadas cerca de duas semanas antes). Para Juliana Massenberg, diretora comercial do site, um dos motivos do crescimento do e-commerce é a confiança que os sites passam aos consumidores,
“No nosso caso, logística é prioridade absoluta. Nosso prazo de entrega sempre é respeitado. E se um fornecedor de última hora nos avisa sobre o atraso de um produto, na hora nós contatamos o cliente”, afirma, ressaltando que outro motivo desse crescimento de 200% é que o site cresceu ainda mais em número de cadastrados. “Hoje temos 90 mil internautas cadastrados no Superexclusivo. Estamos batendo recordes de vendas mês a mês”.
VAREJISTAS
O comércio eletrônico, apesar de ter um movimento ainda muito pequeno se comparado às lojas físicas, possui grande preocupação, tanto como as duas grandes redes de lojas de brinquedos do País: Ri Happy e PBKids. Maior rede do País, com 92 lojas (94 até o final deste ano), a Ri Happy foi a primeira rede varejista do segmento de brinquedos a trabalhar com e-commerce desde 1997. E o negócio cresce a cada ano. Segundo Mario Honorato, diretor de marketing da Ri Happy, enquanto a expectativa de crescimento da rede para este ano gira em torno de 6%, no e-commerce esse número deve ultrapassar a casa dos 10%.
“Esse crescimento ajuda, e muito, na venda do Dia das Crianças. Mesmo que o consumidor opte por não comprar o produto pelo computador, muitas vezes ele já chega na loja física decidido sobre sua compra, já que todos os produtos que temos em nossas gôndolas estão disponíveis na web”, ressalta.
A grande preocupação da Ri Happy nessa área também é a logística. Segundo Honorato, quando o cliente compra um CD, um livro, uma televisão ou uma geladeira, o tamanho é quase um padrão. Brinquedos não. A rede possui um sistema complexo de atendimento para atender todas as regiões do País, levando-se em consideração que seus produtos têm preços e tamanhos bem vanáveis, até porque o preço do próprio frete é calculado pelo peso e pela cubagem do produto. Assim, podemos ter um brinquedo minúsculo que custe 300 reais, e um enorme, que vai ocupar muito mais espaço e peso no caminhão, que custa 50 reais. Não pode-se elevar tanto o preço do frete em um caso desse. Celso Pilnik, diretor comercial da PBKids, diz que além do prazo de entrega, outra preocupação é quanto à estética do produto.
“Queremos que o produto chegue embalado nas mãos do cliente de uma forma até mais bonita do que quando ele retira na loja”, afirma.
Outra preocupação, segundo o executivo, é oferecer um grande mix de produtos.
“Hoje temos disponível em nossa loja virtual 90% do que oferecemos em nossas lojas físicas, Não é fácil cadastrar tudo; além disso, damos prioridades para os lançamentos”, ressalta.
Ao contrário de sua principal concorrente, a PBKids ainda é nova no mundo virtual. Só neste ano de 2009 o canal de vendas da web começou a ser prionzado pela rede. De Janeiro a Setembro deste ano houve um crescimento de 100% em e-commerce em relação ao mesmo período do ano passado, ano em que ainda engatinhavam na internet”, informa Pilnik, que calcula que em 2010 o e-commerce passe a representar 5% das vendas da rede. Hoje esse número ainda é de 1%. Nesses últimos 12 meses a PBKids investiu de forma maciça em infraestrutura para seu e-commerce. Também fez investimentos em mídia, no Google, UOL e em outros canais-chave para alavancar a ferramenta.
“Não tinha mais como deixar o e-commerce para segundo plano. O brasileiro definitivamente já se acostumou a comprar pela internet. É só ver que a taxa de crescimento das lojas virtuais atualmente é maior do que das lojas físicas”. Para esse Dia das Crianças, especialmente, Pilnik diz que o ecommerce da PBfüds deve manter o crescimento obtido nos últimos meses. Porém, não acredita que seja suficiente para deixar as lojas vazias. “O brasileiro ainda lota o varejo às vésperas de cada data.”
COMPORTAMENTO
Para José Calazans, do Ibope/NetRatings, ainda não dá para se afirmar com toda certeza que o fato de alguns sites de e-commerce terem antecipado a venda de produtos para o Dia das Crianças seja já um movimento definitivo. Não há como saber se há um movimento de antecipação de compras em datas comemorativas, mas pegando o Dia das Crianças como base, percebe-se que a internet tem ajudado na venda de brinquedos. Se não diretamente, serve como um guia de produtos e de comparação de preços. As redes sociais também têm ajudado muito no desempenho do e-commerce no País, Ao entrar em um fórum de debates e obter informações sobre um determinado produto, as pessoas, indiretamente, já estão praticando o e-commerce.
“Vale ressaltar que e-commerce não é somente o ato de comprar pela internet. “Pesquisar um produto pela web e por causa dessa pesquisa efetuar uma compra na loja física não deixa de ser e-commerce”, diz, explicando por que o Ibope mede o número de internautas que navegam pelos sites de vendas e não somente aqueles que compram.
Esse movimento é cada vez mais forte nos últimos anos, segundo Calazans. Primeiro pelo aparecimento das lan houses, que fez com que os consumidores de classes sociais mais baixas passassem a ter um contato maior com a internet. Logo depois veio o fortalecimento do crédito, que fez com que esse consumidor que já freqüentava a lan comprasse um computador para sua casa. Basta juntar esse fato com uma confiança maior do consumidor em arriscar suas primeiras compras pela internet e temos aí um futuro promissor para esse segmento. Vale lembrar também que a diversidade de tipos de produtos que as pessoas buscam hoje nos sites de vendas aumentou. Se antes eram só CDs (que hoje também caiu muito, com a proliferação das músicas baixadas pela web) e livros, hoje as categorias são bem mais diversificadas, e entre elas, brinquedos, o que explica o motivo do sucesso de vendas de quem investe na comercialização desse segmento na internet.
Fonte: Revista Marketing
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